O ano de 2026 carrega um sabor ainda mais especial. Chegamos à décima safra. A vinícola que nasceu da intenção de produzir meu próprio vinho, para degustar com a família e amigos, tal qual meu bisavô fizera na década de 30, próximo ao Centro de Porto Alegre.
Com o tempo, o que era um hobby ganhou forma, estrutura e propósito. Nos tornamos a primeira vinícola urbana do Brasil, ampliamos horizontes, trocamos experiências, inspiramos novos projetos. Com mais de 50 vinhos produzidos, seguimos movidos pela mesma inquietação inicial!
Neste ano vinificamos 5 uvas: Chardonnay de Caxias do Sul, Pinot Noir de 3 diferentes Terroirs (Piratini, Encruzilhada do Sul e Campos de Cima da Serra) e Nebbiolo, de Encruzilhada do Sul.
Algo que sempre gera o “frio na barriga”, tal qual na primeira vez, é a aproximação do dia da colheita e, em especial, a chegada das uvas na vinícola. Sempre vivendo o novo. Cada uva, uma história, uma vinificação. Eu tampouco sou mais o mesmo, então… tudo novo.
A cada dia das uvas no tanque de fermentação, novas expectativas. Como o mosto vai se comportar hoje? Como será o ritmo de fermentação?
É um deleite ter essa interação e ver as respostas se apresentando à medida que o vinho vai tendo seu açúcar, sendo transformado em álcool.
Finalizamos a safra recentemente e já é possível antecipar: teremos belos vinhos pela frente. A excelente maturação e sanidade das uvas, aliadas ao rigor na seleção antes do esmagamento, garantiram que apenas matéria-prima de alto nível chegasse aos tanques de fermentação.
A Chardonnay iniciou seu caminho com leveduras selecionadas, em busca de precisão, frescor e elegância. As demais uvas seguiram com leveduras selvagens, em fermentações de ritmos próprios. As macerações foram conduzidas de perto, entre 9 e 12 dias, sempre respeitando o tempo de cada vinho.
Agora, todos repousam — entre tanques e barricas — onde o tempo deixa de ser espera e passa a ser parte essencial da construção. É nesse silêncio que cada vinho vai sendo lapidado, sendo preparado para se expressar com toda sua identidade.
De safra em safra, tudo se renova.