Muitas vezes, faltando palavras para expressar como conduzimos nossas vinificações, busco em outras áreas, para melhor me fazer entender.
Recentemente, buscando meu filho menor no colégio, deixei que o Spotify conduzisse a trilha daquele trajeto. Entre sugestões, surgiu uma interpretação de Jon Batiste para um dos clássicos de Ludwig van Beethoven — Für Elise
Impressionante! Deixarei nas notas do texto, o link para acessar essa maravilha.
Quem não conhece esse hino do Beethoven? O artista contemporâneo, mantendo a estrutura do clássico, consegue trazer sentimentos e visões próprias, sem perder a identidade e estrutura da música.
É exatamente essa relação entre estrutura e interpretação que também busco no vinho. Entendo que um Pinot deve sempre expressar cor, nariz e boca de Pinot. Isso vale para todas as castas. Dessa forma nos mantemos a “estrutura”, tal qual na música citada. Mantendo a tipicidade, podemos imprimir o toque autoral, baseado na relação entre o produtor e a uva/mosto/vinho, dando assinatura ao vinho.
Ao vinificar, busco referências externas e também a experiência de vinificações anteriores, para conduzir, mas a todo momento vejo como imprimir o meu toque, a minha visão, seja na intensidade das remontagens, ou na delicadeza de uma pigeage, tempo de maceração, a interação com as leveduras e por ai em diante.
Sinto que dessa forma consigo me expressar como amante e condutor do vinho, entregando o que está dentro de mim, no cuidado em cada etapa, para que o apreciador ao abrir um de nossos vinhos, possa ter uma experiência singular ao degustar.
Tipicidade, originalidade, talento autoral estão entre os elementos mais buscados por um apreciador de arte: música, vinho e muito mais!