Muito antes de ser um produtor, sou um apreciador de vinhos. Ao longo da jornada como entusiasta, degustei diferentes regiões, variedades, estilos… mas, afinal, o que buscamos ao comprar e degustar um vinho?
Com certeza são muitos os fatores, mas na minha avaliação são 2 os principais: tipicidade (terroir , casta e safra) e algo que surpreenda, que o torne único!
Buscando expressar esses fatores, desenvolvi a forma que vinifico. Tendo como referência tanto a escola enológica, como o movimento de “vin naturel” , conduzimos nossas fermentações com baixo sulfito (entendemos que a vinificação zero sulfito no sul do Brasil traz mais risco que benefício) e com leveduras selvagens.
Acompanhamos as vinificações muito de perto e baseado no ritmo e liberação de aromas, durante o processo fermentativo, decidimos se permanecemos com as leveduras selvagens, ou entramos com as selecionadas.
As leveduras indígenas nos trazem complexidade, camadas, mas ao mesmo tempo, em alguns casos podem comprometer a nitidez aromática e em outros, pode ir além, provocando a degradação do vinho, descaracterizando sua identidade (acidez volátil acima do limite e oxidação excessiva). Não abrimos mão da preservação da tipicidade e elegância e isso é muito mais importante do que bandeira e por esse fator, em algumas vinificações optamos em utilizar leveduras selecionadas, buscando esse propósito.
Antes de qualquer método, somos livres, portanto, para conduzir “à nossa maneira”, tendo como primordial a busca por entregar naturalidade e qualidade na taça.